terça-feira, 30 de junho de 2026

Ética no Radioamadorismo: Muito Além das Normas

 


Ética no Radioamadorismo: Muito Além das Normas

O radioamadorismo é reconhecido mundialmente como uma atividade voltada à experimentação técnica, ao aperfeiçoamento operacional, à integração entre pessoas e ao serviço prestado à sociedade, especialmente em situações de emergência. Para que esses objetivos sejam alcançados, existe um princípio que sustenta toda a atividade: a ética.

Frequentemente, a ética é associada apenas às normas, regulamentos ou aos conteúdos exigidos para a obtenção do Certificado de Operador de Estação de Radioamador (COER). No entanto, sua verdadeira dimensão é muito maior. A ética não deve permanecer apenas escrita em leis, regulamentos ou manuais; ela precisa ser vivida diariamente por meio das atitudes, das palavras e até mesmo dos pensamentos de cada radioamador.

Ética: uma escolha diária

Cumprir a legislação é uma obrigação de todo radioamador. Entretanto, agir eticamente significa ir além do simples cumprimento das regras.

A verdadeira ética manifesta-se quando o operador decide ouvir antes de transmitir, respeita um QSO em andamento, evita interferências desnecessárias, utiliza linguagem cordial, orienta os iniciantes com paciência e trata todos os colegas com igualdade, independentemente de sua classe, experiência ou equipamento.

Cada transmissão representa não apenas a voz de um operador, mas também a imagem de toda a comunidade radioamadorística.

A ética começa antes da transmissão

Muito antes de pressionar o botão PTT, a ética já está presente.

Ela nasce na intenção de comunicar com respeito, na disposição para colaborar, na humildade para reconhecer erros e na responsabilidade de utilizar um recurso público de forma consciente.

As palavras transmitidas pelo rádio refletem aquilo que cultivamos em nossa consciência. Por isso, a ética também envolve pensamentos, intenções e valores.

Um operador pode possuir equipamentos modernos, antenas sofisticadas e grande conhecimento técnico, mas será sua conduta que determinará o verdadeiro exemplo que deixará para os demais.

O Código do Radioamador

Em 1928, Paul M. Segal criou o Código do Radioamador, adotado e respeitado por organizações de radioamadores em diversos países.

Segundo esse código, o radioamador deve ser:

  • Ponderado;
  • Leal;
  • Progressista;
  • Amistoso;
  • Equilibrado;
  • Patriótico.

Mesmo após quase um século, esses princípios continuam plenamente atuais, demonstrando que os avanços tecnológicos jamais substituem os valores humanos.

A ética operacional

A International Amateur Radio Union (IARU) destaca que uma boa operação depende tanto do conhecimento técnico quanto da postura ética dos operadores.

Entre as boas práticas recomendadas estão:

  • ouvir atentamente antes de transmitir;
  • respeitar comunicações em andamento;
  • evitar causar interferências intencionais;
  • utilizar apenas a potência necessária para estabelecer o contato;
  • identificar corretamente a estação conforme a legislação;
  • compartilhar o espectro de maneira responsável;
  • incentivar o aprendizado dos novos radioamadores;
  • agir sempre com cordialidade e espírito colaborativo.

Essas práticas não apenas tornam as comunicações mais eficientes, como também fortalecem o respeito mútuo entre operadores.

A ética fortalece o radioamadorismo

O radioamadorismo sempre foi reconhecido pelo voluntariado, pela experimentação técnica, pela amizade e pela colaboração.

Durante situações de emergência, quando outros meios de comunicação podem falhar, a confiança entre os operadores torna-se um dos recursos mais valiosos. Essa confiança não nasce no momento da crise; ela é construída diariamente por meio da conduta ética de cada radioamador.

Da mesma forma, a imagem positiva do radioamadorismo perante a sociedade depende diretamente do comportamento daqueles que utilizam as faixas de radiofrequência.

Cada operador é um representante dessa atividade.

Um compromisso permanente

A ética não possui horário de funcionamento.

Ela deve acompanhar o radioamador em todas as frequências, modos de operação e situações.

Ela está presente quando escolhemos ouvir antes de falar.

Quando respeitamos opiniões diferentes.

Quando evitamos discussões desnecessárias.

Quando compartilhamos conhecimento.

Quando reconhecemos nossos erros.

Quando colocamos o interesse coletivo acima do interesse individual.

A ética transforma operadores em exemplos.

Conclusão

Equipamentos evoluem.

As tecnologias mudam.

Novos modos digitais surgem.

As antenas tornam-se mais eficientes.

Mas existe um elemento que permanece essencial desde o nascimento do radioamadorismo: a ética.

Mais do que uma disciplina exigida para a habilitação, ela constitui um compromisso permanente com o respeito, a responsabilidade, a amizade e o espírito de serviço.

A legislação estabelece os limites mínimos para o exercício da atividade.

A ética, porém, conduz o radioamador a um patamar mais elevado: aquele em que cada transmissão representa não apenas conhecimento técnico, mas também educação, respeito e exemplo.

Em última análise, o verdadeiro radioamador não é reconhecido apenas pela potência de sua estação ou pela qualidade de seus equipamentos, mas principalmente pela qualidade de seu caráter e de sua conduta.

Porque a ética não deve existir apenas no papel. Ela deve estar presente, todos os dias, nas ações, nas palavras e nos pensamentos de quem escolheu fazer do rádio um instrumento de amizade, aprendizado e serviço à sociedade.

segunda-feira, 8 de junho de 2026

CBTalk: a tradição do PX na era digital

 

CBTalk: a tradição do PX na era digital



A evolução das comunicações sempre acompanhou a história da Faixa do Cidadão. Com essa proposta, a Midland criou o CBTalk, uma plataforma que utiliza a internet para reproduzir a experiência operacional do PX em smartphones, preservando elementos que marcaram gerações de comunicadores.

Mais do que um simples aplicativo de voz, o CBTalk foi desenvolvido para lembrar a operação de um rádio PX tradicional. Sua interface apresenta canais, grupos de conversa e controles inspirados nos equipamentos convencionais, criando um ambiente familiar para operadores experientes e intuitivo para novos usuários.

O aplicativo pode ser utilizado gratuitamente através da internet e permanece disponível para download na Google Play. Diferentemente das redes digitais normalmente associadas ao radioamadorismo, o CBTalk não exige licença ou habilitação específica, permitindo que qualquer pessoa participe das comunicações. Link para downloand Android: https://play.google.com/store/apps/details?id=com.midlandeurope.cbip

Um dos grandes diferenciais do projeto foi o Dual Mike. Muito além de um simples acessório, ele foi concebido para unir os mundos digital e analógico. Existem versões com fio e sem fio, sendo que alguns modelos permitem conexão simultânea ao smartphone e ao rádio PX compatível. O operador pode utilizar o tradicional botão PTT e desfrutar de uma experiência muito próxima da operação convencional.

                                


Além disso, o Dual Mike oferece acesso aos recursos mais completos da plataforma, incluindo criação e administração de salas, reforçando seu papel central dentro do ecossistema CBTalk.

No Brasil, a tecnologia ganhou visibilidade através da Aquário, que comercializou versões do equipamento para o mercado nacional, contribuindo para a divulgação do conceito entre os praticantes da Faixa do Cidadão.

Como ocorre em qualquer plataforma aberta, algumas salas enfrentam desafios relacionados ao comportamento inadequado de determinados usuários. Por outro lado, existem grupos amplamente reconhecidos pela cordialidade, disciplina e respeito às boas práticas operacionais. Nessas chamadas "salas de família", administradores atuam de forma firme para manter um ambiente agradável, aplicando bloqueios e restrições quando necessário.

Muitos usuários do CBTalk são operadores que participaram ou ainda participam da Faixa do Cidadão. Para eles, a plataforma tornou-se um ponto de encontro moderno, onde continuam cultivando amizades, compartilhando experiências e mantendo vivo o espírito comunitário do PX, sem a necessidade de antenas ou estações instaladas.

Embora não tenha alcançado a popularidade global que muitos imaginavam, o CBTalk continua ativo e mantém uma comunidade fiel de usuários. Seu legado demonstra que tradição e inovação podem caminhar juntas, utilizando a tecnologia para aproximar pessoas sem perder a essência das comunicações.

Além do aspecto tecnológico, a plataforma contribuiu para democratizar o acesso às comunicações. Ao reduzir custos e barreiras técnicas, permitiu que mais pessoas participassem desse universo, favorecendo um ambiente mais inclusivo e acessível.

O CBTalk também antecipou uma tendência que hoje se tornou comum: utilizar a internet como complemento às formas tradicionais de comunicação. Assim como ocorre em diversas plataformas digitais atuais, a tecnologia atua como ferramenta de aproximação, preservando aquilo que sempre esteve no centro da atividade: a conversa, a amizade e o compartilhamento de experiências.

Porque, no final das contas, seja através de um rádio PX ou de um aplicativo conectado à internet, o objetivo continua sendo o mesmo: conectar pessoas.

73 e bons contatos!


Produzido por Orion
Especial para o Blog Cavalo Marinho Rádio BR

VoxDMR impulsiona o engajamento de radioamadores na rede BrandMeister

 



VoxDMR impulsiona o engajamento de radioamadores na rede BrandMeister


A evolução das comunicações digitais no radioamadorismo tem proporcionado novas formas de acesso às redes mundiais de conversação. Entre as novidades que vêm despertando o interesse da comunidade está o VoxDMR, aplicação desenvolvida pelo radioamador português CS7BLE Joel Calado, de Póvoa de Santo Adrião, Portugal, que permite acesso direto aos talkgroups DMR através de smartphones e computadores conectados à internet, sem necessidade de rádio DMR ou hotspot dedicado.

O crescimento da adesão ao VoxDMR demonstra não apenas a qualidade da aplicação, mas também a versatilidade da infraestrutura BrandMeister, uma das maiores redes DMR do mundo, responsável por interligar radioamadores de diversos países através de talkgroups temáticos, regionais e internacionais.

O projeto tem suas origens na filosofia introduzida pelo radioamador norte-americano AD8DP Doug McLain, criador do DroidStar. O DroidStar tornou-se uma referência mundial ao permitir acesso a diversos modos digitais, como DMR, D-STAR, Fusion, M17 e AllStar, utilizando apenas um smartphone ou computador conectado à internet.

Inspirado nessa abordagem, Joel Calado modernizou a experiência de utilização através do VoxDMR, mantendo conceitos já consolidados e oferecendo uma interface mais atual, intuitiva e focada especificamente no universo DMR e na integração com a rede BrandMeister. A simplicidade de configuração e operação tem atraído tanto operadores experientes quanto radioamadores que desejam conhecer o DMR antes de investir em equipamentos dedicados.

A história das aplicações de voz digital para radioamadores também passa pelo trabalho do radioamador holandês PA7LIM David Grootendorst, criador de projetos amplamente conhecidos como BlueDV e Peanut. O BlueDV permitiu a integração de equipamentos digitais e hotspots com redes DMR, D-STAR e Fusion, tornando-se uma ferramenta extremamente popular entre os entusiastas dos modos digitais.

Já o Peanut trouxe uma proposta inovadora ao oferecer uma plataforma de comunicação digital acessível através de computadores, smartphones e outros dispositivos conectados à internet. O sistema permite acesso a salas de conversação interligadas a redes DMR, D-STAR, Fusion e M17, funcionando como uma importante porta de entrada para muitos radioamadores conhecerem o universo digital.

A coexistência de ferramentas como DroidStar, BlueDV, Peanut e agora VoxDMR demonstra a enorme flexibilidade das redes digitais modernas. Cada aplicação atende perfis diferentes de operadores, mas todas compartilham o mesmo objetivo: facilitar o acesso às comunicações digitais e ampliar a participação dos radioamadores nas atividades da comunidade mundial.

O resultado prático é o aumento do engajamento nos talkgroups da BrandMeister. Operadores podem participar de rodadas, encontros técnicos e conversas informais a partir de praticamente qualquer lugar com acesso à internet, mantendo-se ativos mesmo quando estão longe de suas estações principais.

Vale destacar que, assim como ocorreu anteriormente com os hotspots, sistemas EchoLink, AllStar e demais plataformas conectadas à internet, o surgimento de aplicações como VoxDMR também desperta diferentes opiniões dentro da comunidade de radioamadores.

Alguns operadores defendem que a experiência tradicional do radioamadorismo está diretamente associada ao uso de equipamentos de radiofrequência, antenas e propagação, considerando que aplicações executadas em smartphones e computadores se afastam desse conceito clássico.

Por outro lado, muitos radioamadores observam que a própria evolução dos modos digitais incorporou ao longo dos anos uma forte integração com redes IP. Atualmente, grande parte da infraestrutura utilizada diariamente por milhares de operadores em todo o mundo já depende, em maior ou menor grau, da internet. Repetidoras interligadas, hotspots pessoais, servidores BrandMeister, BlueDV, Peanut, AllStar, EchoLink e diversas outras plataformas utilizam recursos de rede para ampliar o alcance das comunicações.

Nesse contexto, ferramentas como VoxDMR podem ser vistas não como substitutas da operação em radiofrequência, mas como complementos que ampliam o acesso à atividade, facilitam o aprendizado de novos operadores e mantêm radioamadores ativos quando estão temporariamente distantes de suas estações.

Outro aspecto relevante é a questão social e econômica. Em muitos países, inclusive no Brasil, a aquisição de equipamentos digitais, hotspots, fontes de alimentação, antenas e demais acessórios pode representar um investimento significativo para parte dos radioamadores, especialmente iniciantes, aposentados, estudantes e pessoas com recursos financeiros limitados.

Ferramentas como VoxDMR, DroidStar, BlueDV e Peanut ajudam a reduzir essa barreira de entrada, permitindo que operadores devidamente licenciados tenham contato com as redes digitais utilizando equipamentos que já fazem parte do seu cotidiano, como smartphones, tablets e computadores. Isso possibilita conhecer o funcionamento dos talkgroups, aprender sobre protocolos digitais e integrar-se à comunidade antes mesmo da aquisição de uma estação própria.

Sob essa perspectiva, essas aplicações também exercem uma importante função de inclusão tecnológica e social, ampliando o acesso ao conhecimento e estimulando a participação de novos radioamadores. Em vez de substituir a operação tradicional em radiofrequência, elas podem servir como porta de entrada para futuros operadores de DMR, incentivando posteriormente o investimento em rádios, antenas e demais equipamentos especializados.

Mais do que uma questão tecnológica, a expansão de ferramentas como VoxDMR, DroidStar, BlueDV e Peanut contribui para um radioamadorismo mais inclusivo e acessível. Ao reduzir barreiras econômicas e técnicas, essas aplicações permitem que um número maior de pessoas participe das atividades da comunidade, independentemente da disponibilidade imediata de equipamentos específicos ou de infraestrutura própria.

O radioamadorismo sempre foi marcado pela experimentação, pelo compartilhamento de conhecimento e pela formação de amizades além das fronteiras geográficas. Nesse contexto, ampliar as formas de acesso à atividade significa fortalecer esses valores fundamentais, permitindo que mais operadores possam aprender, colaborar e contribuir para o crescimento da comunidade.

Favorecer um radioamadorismo inclusivo não significa substituir as estações tradicionais, as antenas ou a operação em radiofrequência. Significa criar oportunidades para que mais pessoas tenham contato com a atividade, descubram seu potencial educativo e tecnológico e, futuramente, possam evoluir para diferentes modalidades operacionais de acordo com seus interesses e possibilidades.

Ao democratizar o acesso às redes digitais, projetos como VoxDMR ajudam a construir uma comunidade mais diversa, participativa e acolhedora, alinhada aos princípios de universalidade e intercâmbio de conhecimentos que historicamente acompanham o radioamadorismo mundial.

A própria história do radioamadorismo demonstra que novas tecnologias frequentemente enfrentam resistência inicial antes de serem amplamente incorporadas à atividade. O importante é reconhecer que existe espaço tanto para os entusiastas da operação tradicional em RF quanto para aqueles que exploram as possibilidades oferecidas pelas redes digitais modernas.

Independentemente da tecnologia utilizada, permanece o objetivo comum que une radioamadores de todo o mundo: a experimentação técnica, a comunicação, o aprendizado contínuo e a construção de amizades através das telecomunicações.

Perfis QRZ dos desenvolvedores

• AD8DP - Doug McLain

• CS7BLE - Joel Calado

• PA7LIM - David Grootendorst

Mais do que aplicações de software, essas iniciativas demonstram o espírito de experimentação e inovação que sempre caracterizou o radioamadorismo. Ao reduzir barreiras de entrada e aproximar novos operadores das redes digitais, projetos como VoxDMR, DroidStar, BlueDV e Peanut ajudam a fortalecer a comunidade internacional e a preparar o radioamadorismo para as próximas gerações.

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sexta-feira, 29 de maio de 2026

DMR e BrandMeister: A Revolução Digital nas Radiocomunicações Amadoras

 


DMR e BrandMeister: A Revolução Digital nas Radiocomunicações Amadoras

O avanço da tecnologia digital transformou profundamente o universo das radiocomunicações, e um dos sistemas que mais cresceram nos últimos anos foi o DMR — Digital Mobile Radio.

Originalmente desenvolvido para aplicações profissionais, o DMR rapidamente ganhou espaço entre radioamadores e operadores digitais em todo o mundo devido à excelente qualidade de áudio, eficiência espectral e enorme capacidade de integração global.

Hoje, através da rede BrandMeister, operadores conseguem conversar em tempo real com pessoas de diferentes estados e países utilizando repetidoras, hotspots pessoais, internet integrada ao sistema e até aplicativos para celular e computador.

O Que é DMR?

DMR significa Digital Mobile Radio.

Trata-se de um padrão digital de comunicação via rádio que utiliza transmissão de voz digitalizada, identificação de usuários, grupos de conversação (TalkGroups) e recursos avançados de roteamento.

Entre as principais vantagens do DMR estão:

  • áudio limpo e estável;
  • identificação digital do operador;
  • maior eficiência no uso da frequência;
  • integração mundial;
  • múltiplos grupos de conversa simultâneos;
  • possibilidade de uso via hotspot;
  • integração com redes IP;
  • e ampla organização das redes.

Diferente dos sistemas analógicos tradicionais, no DMR o áudio é convertido em dados digitais antes da transmissão.

A Rede BrandMeister

O BrandMeister é atualmente uma das maiores redes DMR do planeta.

Ele funciona como um grande sistema interligado via internet, permitindo que repetidoras e hotspots espalhados pelo mundo inteiro conversem entre si através dos chamados TalkGroups (TGs).

Cada TG funciona como uma “sala” temática ou regional.

Existem TGs:

  • mundiais,
  • nacionais,
  • estaduais,
  • regionais,
  • técnicos,
  • experimentais,
  • e temáticos.

No Brasil, a rede possui enorme atividade diária, conectando operadores de todas as regiões do país.

Acesso Também por Celular e Computador

Uma das grandes vantagens do DMR moderno é a facilidade de acesso.

Hoje é comum operadores utilizarem:

  • rádios portáteis;
  • rádios móveis;
  • hotspots caseiros;
  • Raspberry Pi;
  • aplicativos móveis;
  • Smartphones
  • softwares para computador;
  • VoxDMR;
  • redes IP;
  • e repetidoras interligadas.

Aplicativos permitem acesso aos TGs diretamente pela internet, ampliando a participação de usuários mesmo fora da cobertura de repetidoras.

Entre as plataformas mais utilizadas estão:

  • DroidStar,
  • BlueDV,
  • Peanut,
  • Dudestar,
  • VoxDMR,
  • e outras aplicações compatíveis com redes digitais.

O VoxDMR vem ganhando destaque entre operadores por oferecer acesso simplificado às redes digitais através de smartphones e computadores, permitindo participação em TGs e rodadas digitais utilizando conexão de internet convencional.

Isso ajuda:

  • iniciantes;
  • curiosos da tecnologia digital;
  • radioamadores sem repetidora próxima;
  • operadores em viagem;
  • e usuários interessados em conhecer o universo DMR.

A integração digital permite inclusive que usuários participem de rodadas diretamente do celular utilizando conexão Wi-Fi ou rede móvel.

As Rodadas Digitais no Brasil

Um dos grandes diferenciais do DMR brasileiro é a quantidade de rodadas e encontros digitais organizados diariamente.

Essas atividades ajudam:

  • novos operadores;
  • radioamadores experientes;
  • curiosos da tecnologia digital;
  • e amantes das radiocomunicações.

Entre algumas das rodadas em atividade destacam-se:

DiaHorárioTGTema
Segunda à Sexta6h30 às 8h307244Encontro Matinal Café no Rancho
Segunda / Quarta / Sexta13h às 14h724941QSO da Farofinha
Segunda19h às 20h386[REDE TGIF] Rodada da Prova de Vida
Segunda20h às 21h72426União de Radioamadores de Pernambuco
Segunda / Quarta / Sexta20h45 às 22h72431Rodada Noite dos Amigos
Terça19h3072443Rio 40 Graus
Terça (1ª do mês)21h724942Net BR - Rodada
Terça (3ª do mês)21h724942Net BR - Rádio Palestra
Quarta19h268NetCT Portugal
Quarta19h às 20h724263Rodada Caratinguense entre amigos
Quarta20h72442Boa Noite Minas Gerais
Quinta18h307242Bodega do Nordeste
Quinta21h3072429Boa Noite Sergipe
Sexta18h307244Rancho Pergunta
Sexta20h72423Boa Noite Ceará
Sábado7h724150DMR Cariri
Sábado13h91Worldwide Checkin
Sábado19h72427Batalha do Jenipapo - LABRE PI
Domingo (Último do mês)14h às 15h72434Bate Papo Moto Grosso do Sul
Domingo18h7244Máquina de Fazer Amigos
Domingo21h às 22h1572434Corujas da Noite

Muito Além da Tecnologia

O DMR não é apenas tecnologia digital.

Ele também representa:

  • integração entre operadores;
  • amizade;
  • aprendizado;
  • intercâmbio cultural;
  • experimentação técnica;
  • e fortalecimento da comunidade radioamadora.

Tudo isso mantendo vivo o espírito do rádio:

comunicar pessoas.

O Futuro das Radiocomunicações Digitais

O crescimento do DMR e do BrandMeister mostra que o radioamadorismo continua evoluindo.

A tecnologia digital abriu portas para:

  • novas formas de operação;
  • integração mundial;
  • automação;
  • experimentação;
  • educação técnica;
  • e aproximação de novos públicos.

Ao mesmo tempo, preserva valores históricos do rádio:

  • amizade,
  • colaboração,
  • experimentação técnica,
  • e comunicação em situações diversas.

O DMR hoje já faz parte da rotina de milhares de operadores no Brasil e no mundo — e tudo indica que continuará sendo uma das principais portas de entrada para a nova geração das radiocomunicações digitais.


quinta-feira, 28 de maio de 2026

Rádios de Uso Geral Crescem no Brasil e Aproximam Novos Usuários do Mundo das Radiocomunicações

 

Rádios de Uso Geral Crescem no Brasil e Aproximam Novos Usuários do Mundo das Radiocomunicações

Os rádios de uso geral vêm conquistando espaço no Brasil como uma alternativa prática, acessível e independente de comunicação local.

Presentes em condomínios, trilhas, praias, eventos, comércio, apoio comunitário e atividades ao ar livre, esses equipamentos permitem comunicação direta entre pessoas sem necessidade de internet ou telefonia celular.

Além da praticidade, os rádios de uso geral também vêm despertando o interesse de novos usuários pelo universo das radiocomunicações, funcionando muitas vezes como porta de entrada para o hobby do radioamadorismo.

A simplicidade operacional é um dos principais atrativos:

  • selecionar o canal,
  • apertar o PTT,
  • e conversar.

Com o tempo, muitos usuários passam a se interessar por:

  • propagação,
  • antenas,
  • alcance,
  • técnicas operacionais,
  • e comunicação via rádio de forma mais ampla.

Fabricantes como Motorola, com a linha Talkabout, Aquário, com a linha Easy Talk, e Intelbras, com modelos como o RC 3002 G2, possuem equipamentos homologados para essa modalidade de comunicação.

Regulamentação Técnica — Ato 14448 da Anatel

O funcionamento dos Equipamentos de Radiocomunicação de Uso Geral é definido pelo Artigo 15 do Ato nº 14448 da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Fonte oficial do ato:
Ato nº 14448 — Anatel

O regulamento estabelece integralmente:

15. EQUIPAMENTO DE RADIOCOMUNICAÇÃO DE USO GERAL

15.1.

Equipamentos de Radiocomunicação de Uso Geral são destinados à comunicação bidirecional de voz entre duas pessoas e devem operar de acordo com as seguintes condições:

15.1.1.

Nas faixas de radiofrequências 462,53-462,74 MHz e 467,53-467,74 MHz de acordo com a canalização descrita na Tabela XII.

Canal NºRadiofrequência (MHz)
01462,5625
02462,5750
03462,5875
04462,6000
05462,6125
06462,6250
07462,6375
08462,6500
09462,6625
10462,6750
11462,6875
12462,7000
13462,7125
14467,5625
15467,5750
16467,5875
17467,6000
18467,6125
19467,6250
20467,6375
21467,6500
22467,6625
23467,6750
24467,6875
25467,7000
26467,7125

Tabela XII

15.1.2.

Admite-se a utilização de canais intersticiais, desde que a largura de faixa de frequências ocupada pela transmissão e recepção não seja superior a 12,5 kHz.

15.1.3.

A potência efetivamente radiada nas radiofrequências portadoras especificadas neste item não deve exceder a 500 mW.

15.1.4.

A largura de faixa ocupada pelo canal deve ser a menor possível com o objetivo de reduzir interferências entre canais adjacentes e não poderá ser superior a 12,5 kHz.

15.1.5.

A estabilidade de radiofrequência de Equipamento de Radiocomunicação de Uso Geral deve ser de 0,00025%.

15.1.6.

A potência de cada emissão indesejada ou espúria de equipamentos de radiocomunicação de uso geral operando deve estar reduzida da potência máxima de transmissão (P) do rádio em:

15.1.6.1.

Pelo menos 25 dB para qualquer frequência afastada em mais de 50% e até 100%, inclusive, do centro da largura de faixa autorizada;

15.1.6.2.

Pelo menos 35 dB para qualquer frequência afastada em mais de 100% e até 250%, inclusive, do centro da largura de faixa autorizada;

15.1.6.3.

Pelo menos 43 + 10 log(P) dB ou 35 dB (o que for maior) para qualquer frequência afastada em mais de 250% do centro da largura de faixa autorizada.

15.1.7.

O uso do Equipamento de Radiocomunicação de Uso Geral na forma de transmissão unidirecional é admitido somente para:

15.1.7.1.

Estabelecer comunicação com outra pessoa;

15.1.7.2.

Enviar uma mensagem de emergência;

15.1.7.3.

Prover auxílio a viajante; ou

15.1.7.4.

Efetuar um rápido teste.

15.1.8.

O Equipamento de Radiocomunicação de Uso Geral pode transmitir tons para fazer contato ou continuar a comunicação com outro determinado equipamento do sistema:

15.1.8.1.

Se o tom for audível (em radiofrequência superior a 300 Hz), sua duração não deve ser maior que 15 segundos;

15.1.8.2.

Se a radiofrequência do tom for inferior a 300 Hz, ele pode ser transmitido continuamente enquanto o usuário estiver falando.

15.1.9.

Em hipótese alguma é permitida a interconexão de Equipamento de Radiocomunicação de Uso Geral às redes que dão suporte aos serviços prestados em regime público ou privado de interesse coletivo.

15.1.10.

Usuários de Equipamento de Radiocomunicação de Uso Geral devem ser orientados pelo fabricante do produto que, a qualquer tempo e em qualquer canal, deve ser dada prioridade a mensagens de comunicação de emergência relacionadas com a segurança da vida.

Comunicação Simples e Interesse Crescente

Mesmo sendo equipamentos compactos e de baixa potência, os rádios de uso geral continuam desempenhando importante papel na comunicação local moderna.

Além do uso cotidiano, esses equipamentos seguem despertando interesse técnico e cultural pelas radiocomunicações, aproximando novos usuários do universo do rádio e incentivando futuras gerações de operadores e radioamadores.

Matéria criada por Orion para o Projeto  Cavalo Marinho  — tecnologia, conhecimento e amizade nas ondas do rádio. 👍

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Radioescuta: O Fascinante Universo de Ouvir o Mundo Pelo Rádio

 






Radioescuta: O Fascinante Universo de Ouvir o Mundo Pelo Rádio

Por Orion

A radioescuta é uma atividade fascinante que atravessa décadas e continua viva mesmo na era da internet e da comunicação digital. Muito além de apenas “ouvir transmissões”, ela representa curiosidade, aprendizado técnico, observação do mundo e paixão pelas comunicações.

Para muitos entusiastas, a radioescuta foi a porta de entrada para o radioamadorismo, eletrônica, telecomunicações e até carreiras profissionais na área de tecnologia.


O que é radioescuta?

A radioescuta consiste em monitorar sinais de rádio em diferentes frequências utilizando receptores, rádios comunicadores, scanners ou equipamentos especializados.

O radioescuta pode acompanhar:

  • Comunicações de radioamadores;
  • Faixas aeronáuticas;
  • Comunicações marítimas;
  • Satélites;
  • Ondas curtas internacionais;
  • Faixas utilitárias;
  • Comunicações digitais;
  • Propagação ionosférica;
  • Balizas e sinais experimentais.

Cada faixa possui características próprias e proporciona experiências únicas ao operador.


A magia da propagação

Um dos pontos mais apaixonantes da radioescuta é a propagação das ondas de rádio.

Dependendo das condições atmosféricas e solares, sinais podem viajar milhares de quilômetros. Em determinados momentos, um simples rádio e uma antena improvisada permitem ouvir transmissões de outros estados e até de outros países.

Fatores como:

  • atividade solar;
  • ciclo solar;
  • horário do dia;
  • condições climáticas;
  • estação do ano;
  • localização geográfica;

influenciam diretamente os resultados obtidos pelos radioescutas.


Tecnologia acessível

Hoje a radioescuta tornou-se mais acessível graças aos avanços tecnológicos.

Equipamentos SDR (Software Defined Radio) permitem transformar computadores em verdadeiros laboratórios de recepção. Com baixo custo, é possível monitorar diversas faixas e modos digitais.

Além disso, aplicativos, softwares e comunidades online aproximaram operadores de diferentes regiões do mundo.

Mesmo assim, muitos entusiastas ainda mantêm viva a tradição dos rádios clássicos, antenas artesanais e da escuta paciente, valorizando a essência da atividade.


Radioescuta e aprendizado técnico

A prática da radioescuta desenvolve diversos conhecimentos:

  • eletrônica básica;
  • propagação;
  • montagem de antenas;
  • geografia;
  • fonia e códigos;
  • comunicação técnica;
  • disciplina operacional.

Também estimula a pesquisa, a observação e o raciocínio técnico.

Não é raro encontrar profissionais de TI, telecomunicações e engenharia que iniciaram sua jornada ouvindo sinais no rádio ainda jovens.


Ética e responsabilidade

A radioescuta deve sempre respeitar limites legais e éticos.

O objetivo da atividade é aprendizado, hobby, observação técnica e integração cultural — nunca invasão de privacidade ou uso indevido de informações.

O bom radioescuta valoriza:

  • responsabilidade;
  • discrição;
  • respeito às normas;
  • espírito colaborativo;
  • preservação da atividade.

A tradição da “Coruja”

Dentro do universo da radioescuta existe uma expressão muito conhecida: “corujar”.

O termo nasceu do hábito de muitos operadores passarem horas em silêncio apenas ouvindo transmissões, principalmente durante a madrugada, de forma atenta e paciente — como uma coruja observando tudo discretamente.

Assim, o radioescuta muitas vezes recebe o apelido carinhoso de “coruja”.

Corujar significa:

  • monitorar frequências;
  • acompanhar movimentações no rádio;
  • observar a propagação;
  • aprender ouvindo operadores experientes;
  • permanecer atento aos sinais sem necessariamente transmitir.

Entre os entusiastas, a expressão virou parte da cultura do rádio e representa curiosidade, vigilância técnica e paixão pela escuta.

Muitos radioamadores experientes afirmam que antes de aprender a falar no rádio, aprenderam primeiro a ouvir.


Uma atividade que resiste ao tempo

Mesmo com smartphones, redes sociais e comunicação instantânea, o rádio continua encantando pessoas no mundo inteiro.

Existe algo especial em girar o dial, encontrar sinais inesperados e perceber que invisivelmente milhares de vozes cruzam o céu a todo momento.

A radioescuta mantém viva a curiosidade humana, o interesse pela tecnologia e a paixão pelas comunicações.

Para muitos, não é apenas um hobby.

É uma conexão silenciosa com o mundo.


“Enquanto existir propagação, existirá alguém ouvindo.”


quinta-feira, 21 de maio de 2026

📡 A IMPORTÂNCIA SOCIAL DAS REPETIDORAS NO RADIOAMADORISMO 📡




📡 A IMPORTÂNCIA SOCIAL DAS REPETIDORAS NO RADIOAMADORISMO 📡

Muito além de simples equipamentos de retransmissão, as repetidoras exercem um papel social fundamental dentro do radioamadorismo e da própria comunidade.

Elas ampliam o alcance da comunicação, aproximam pessoas, fortalecem amizades e mantêm radioamadores conectados diariamente, mesmo em grandes distâncias ou regiões com dificuldades de propagação.

Mas existe um aspecto social pouco lembrado e extremamente importante:

Muitos colegas não possuem condições financeiras para montar grandes estações, adquirir equipamentos de alta potência ou instalar antenas complexas devido ao custo elevado da infraestrutura.

Outros enfrentam limitações físicas, idade avançada, moram em apartamentos, condomínios ou regiões urbanas onde a instalação de antenas externas se torna difícil ou até inviável.

Em algumas localidades, a própria violência urbana e questões de segurança acabam limitando instalações maiores nas residências.

É justamente nesse ponto que as repetidoras se tornam ferramentas de inclusão dentro do radioamadorismo.

Com um simples HT ou rádio de baixa potência, muitos operadores conseguem participar da atividade, fazer amizades, aprender, trocar experiências e permanecer ativos na faixa.

As repetidoras ajudam a democratizar o acesso à comunicação, permitindo que pessoas com diferentes condições sociais continuem integradas à comunidade radioamadorística.

Além disso, possuem enorme importância em situações de emergência. Desde que estejam preparadas com sistemas auxiliares, como mini geração de energia, baterias e infraestrutura básica de contingência, podem continuar operando mesmo durante apagões e falhas das redes convencionais.

Nessas situações, tornam-se importantes ferramentas de apoio às equipes de emergência, defesa civil e comunicação comunitária, auxiliando no fluxo de informações quando outros meios estão indisponíveis.

Além do aspecto técnico, existe o lado humano:
📶 integração social,
📶 troca de conhecimento,
📶 apoio entre operadores,
📶 inclusão de novos radioamadores,
📶 fortalecimento da cultura do rádio.

Em muitas cidades, as repetidoras acabam se tornando verdadeiros pontos de encontro da comunidade radioamadorística.

Cuidar, apoiar e valorizar uma repetidora é fortalecer não apenas uma frequência, mas toda uma comunidade.

📡 Comunicação sem fronteiras.
73 a todos!

✍️ Matéria produzida por Orion AI em apoio ao radioamadorismo e à comunicação comunitária.

quarta-feira, 20 de maio de 2026

O conhecimento que não se compartilha enfraquece o radioamadorismo

 


Por Orion

O radioamadorismo sempre foi construído sobre três pilares fundamentais:

  • experimentação
  • fraternidade
  • compartilhamento de conhecimento

Muito antes da internet moderna, operadores já aprendiam uns com os outros no ar, nas associações, nas visitas às estações e nas conversas técnicas que atravessavam gerações.

Foi assim que muitos aprenderam:

  • propagação
  • antenas
  • montagem
  • ética operacional
  • modos digitais
  • CW
  • RF
  • procedimentos de emergência

O conhecimento sempre circulou.

E talvez justamente por isso o radioamadorismo tenha conseguido sobreviver e evoluir durante tantas décadas.

Um desafio que precisa ser discutido

Nos últimos anos, muitos radioamadores passaram a perceber um problema que merece reflexão madura e equilibrada:

a dificuldade de acolhimento aos novos operadores.

Muitos iniciantes relatam:

  • receio de perguntar
  • medo de errar
  • baixa orientação prática
  • pouco incentivo técnico
  • ambientes excessivamente críticos
  • dificuldade de aproximação com operadores experientes

Naturalmente, isso não representa toda a comunidade radioamadora.

Existem inúmeros operadores extremamente dedicados ao ensino, à mentoria e ao incentivo técnico.

Mas o tema precisa ser debatido com responsabilidade, porque impacta diretamente o futuro do hobby.

Classes existem para responsabilidade técnica — não para divisão humana

As classes no radioamadorismo possuem importância técnica e operacional.

Elas existem para:

  • diferenciar acesso às faixas permitidas
  • estabelecer limites de potência
  • estimular evolução gradual dentro da atividade de forma segura e consciente

Esse modelo é importante para manter:

  • organização técnica
  • segurança operacional
  • uso responsável do espectro
  • progressão educacional do operador

Mas talvez seja importante lembrar:

experiência técnica nunca deveria ser usada como instrumento de superioridade pessoal.

O verdadeiro operador experiente não é apenas aquele que sabe mais.

É aquele que ajuda outros a crescer.

O radioamadorismo se aprende na prática

Outro ponto importante é que o radioamadorismo nunca foi apenas teoria.

Ele sempre foi:

  • prática
  • experimentação
  • convivência
  • operação real
  • testes
  • tentativa e aprendizado

Muita coisa no radioamadorismo:

não está apenas nos livros.

Está:

  • na experiência
  • na escuta
  • na convivência
  • nos erros corrigidos
  • nos testes de campo
  • nas orientações práticas

Sem prática, muitos novos operadores acabam:

  • inseguros
  • desmotivados
  • afastados das atividades
  • limitados apenas à teoria

E isso enfraquece a renovação do radioamadorismo.

Ética também é acolhimento

A ética no radioamadorismo vai muito além da fonia correta ou dos procedimentos operacionais.

Ela também envolve:

  • respeito
  • paciência
  • cordialidade
  • orientação
  • espírito colaborativo

O tradicional espírito ético do radioamadorismo sempre valorizou:

  • fraternidade
  • cooperação
  • ajuda mútua
  • desenvolvimento coletivo

Compartilhar conhecimento nunca enfraqueceu ninguém.

Pelo contrário:
sempre fortaleceu toda a comunidade.

O papel das entidades representativas

Nesse cenário, entidades como a LABRE e suas estaduais possuem papel extremamente importante.

Não apenas na representação institucional junto à ANATEL, mas também:

  • no incentivo educacional
  • na integração entre operadores
  • na formação técnica
  • na preservação da ética radioamadora
  • no fortalecimento da cultura de cooperação

O radioamadorismo cresce quando existe união entre:

  • experiência
  • acolhimento
  • prática
  • inovação
  • compartilhamento

O futuro depende das novas gerações

Todo operador experiente um dia também foi iniciante.

Também teve dúvidas.
Também errou.
Também precisou de orientação.

Por isso talvez seja importante refletir:

que tipo de comunidade queremos deixar para os próximos radioamadores?

Uma comunidade fechada tende a envelhecer.

Uma comunidade acolhedora tende a evoluir.

O futuro do radioamadorismo dependerá não apenas da tecnologia, mas principalmente da capacidade de:

  • ensinar
  • acolher
  • orientar
  • compartilhar
  • inspirar

Porque no fim:

o conhecimento guardado limita pessoas.
O conhecimento compartilhado fortalece gerações.

73!

terça-feira, 19 de maio de 2026

Radioamadorismo, inovação e legislação: o futuro precisa acompanhar a evolução tecnológica

 

Por Orion

O radioamadorismo sempre foi um dos maiores laboratórios tecnológicos da sociedade.

Muito antes da popularização da internet, dos sistemas digitais modernos e das redes inteligentes, radioamadores já experimentavam novas formas de comunicação, estudavam propagação, construíam antenas, desenvolviam técnicas de RF e colaboravam diretamente com o avanço tecnológico.

O espírito experimental sempre foi parte essencial do radioamadorismo.

Mas o cenário tecnológico mudou rapidamente.

Hoje convivemos com:

  • SDR (Software Defined Radio)
  • modos digitais avançados
  • integração rádio + internet
  • telemetria
  • satélites acessíveis
  • automação
  • computação aplicada ao RF
  • inteligência artificial
  • redes resilientes
  • estações remotas

O radioamador moderno já não atua apenas com transmissores analógicos tradicionais.

Ele também trabalha com software, redes, processamento digital, automação, sensores, ciência de dados e sistemas híbridos.

E justamente nesse ponto surge uma discussão importante:

A legislação acompanha essa evolução?

Avanços importantes em 2025

É importante reconhecer que houve avanços importantes no cenário regulatório brasileiro em 2025.

A Resolução  nº 777/2025 e o Ato nº 3.448/2025 representam movimentos relevantes de atualização administrativa e regulatória para o serviço de radioamador.

Esses avanços demonstram que existe preocupação em modernizar processos e acompanhar parte das transformações tecnológicas.

Porém, muitos radioamadores observam que, apesar dos avanços importantes nos direitos e na modernização do serviço de radioamador, alguns pontos fundamentais ainda não ficaram claramente detalhados nas regulamentações.

Principalmente:

  • o estímulo formal à experimentação técnica
  • o detalhamento de atividades experimentais
  • ambientes regulatórios específicos para testes
  • regras mais objetivas sobre inovação tecnológica aplicada ao radioamadorismo

A experimentação sempre foi um dos pilares históricos do radioamadorismo mundial.

Por isso, muitos defendem que futuras evoluções regulatórias poderiam tratar esse aspecto de maneira mais detalhada e moderna.

O equilíbrio necessário

Naturalmente, toda regulamentação precisa proteger:

  • o espectro radioelétrico
  • serviços críticos
  • aviação
  • telecomunicações
  • sistemas essenciais
  • controle de interferências

Modernizar não significa ausência de regras.

O objetivo deve ser criar um ambiente equilibrado:

liberdade para inovar com responsabilidade técnica.

Esse equilíbrio é fundamental para permitir:

  • desenvolvimento tecnológico
  • formação de novos operadores
  • incentivo educacional
  • fortalecimento científico
  • renovação do hobby
  • integração com universidades e projetos STEM

O papel fundamental da LABRE

Nesse cenário, torna-se extremamente importante destacar o papel da LABRE Nacional e das LABREs Estaduais.

A atuação institucional dessas entidades é fundamental na representação dos interesses dos radioamadores junto à ANATEL.

Ao longo dos anos, a LABRE tem contribuído para:

  • diálogo técnico e institucional
  • defesa do radioamadorismo
  • participação em discussões regulatórias
  • sugestões de melhorias
  • fortalecimento da comunidade radioamadora
  • aproximação entre operadores e órgãos reguladores

A representação organizada da comunidade é essencial para que as necessidades técnicas e operacionais dos radioamadores sejam corretamente compreendidas.

O radioamadorismo evolui constantemente.

E acompanhar essa evolução exige diálogo, participação coletiva e cooperação institucional.

O futuro do radioamadorismo

O futuro provavelmente será cada vez mais digital, integrado e tecnológico.

O radioamadorismo continuará tendo enorme importância em áreas como:

  • inovação
  • comunicações de emergência
  • educação
  • ciência
  • defesa civil
  • formação técnica
  • soberania tecnológica

Mas para isso, será necessário manter vivo o principal espírito do radioamadorismo:

experimentar, aprender, inovar e compartilhar conhecimento.

O radioamadorismo sempre foi muito mais do que apenas comunicação.

Ele é ciência aplicada. É educação. É comunidade. É inovação.

E talvez este seja o momento ideal para unir tecnologia, regulamentação moderna e espírito experimental na construção do futuro do radioamadorismo brasileiro.

73!

terça-feira, 12 de maio de 2026

QRP em situações de emergência: eficiência, autonomia e resiliência no rádio

 




QRP em situações de emergência: eficiência, autonomia e resiliência no rádio

Em cenários de emergência, onde energia elétrica, infraestrutura e sistemas convencionais de comunicação podem falhar, o radioamadorismo continua demonstrando sua importância histórica como ferramenta de apoio, integração e comunicação resiliente.

Dentro desse contexto, o QRP ganha destaque por oferecer uma combinação extremamente valiosa:
baixo consumo energético, mobilidade e autonomia operacional.

A filosofia QRP, tradicionalmente associada à operação em baixa potência, vai muito além de simplesmente transmitir com poucos watts.

Ela representa eficiência.

Em situações críticas, essa eficiência pode fazer enorme diferença.

Quando ocorre:

  • interrupção no fornecimento de energia;
  • colapso parcial de infraestrutura;
  • limitação de combustível;
  • dificuldade logística;
  • falha de redes convencionais;

estações QRP conseguem permanecer ativas por muitas horas — e em alguns casos até dias — utilizando recursos mínimos.

Pequenas baterias, sistemas solares portáteis, baterias LiFePO4 e fontes compactas permitem manter comunicações essenciais com excelente autonomia energética.

Enquanto estações de alta potência exigem elevado consumo elétrico, equipamentos QRP conseguem operar com eficiência utilizando poucos watts e estruturas extremamente simples.

E talvez uma das maiores lições operacionais do QRP esteja justamente nisso:

nem sempre a estação mais potente será a mais eficiente.

Muitas vezes, a estação que permanece ativa por mais tempo será justamente a que fará maior diferença em uma situação emergencial.

Outro ponto fundamental é a mobilidade.

Operadores QRP normalmente utilizam equipamentos compactos, antenas leves e sistemas facilmente transportáveis, permitindo rápida montagem em:

  • áreas isoladas;
  • regiões afetadas;
  • operações de campo;
  • pontos elevados;
  • locais sem infraestrutura.

Além disso, a própria filosofia QRP naturalmente estimula características fundamentais em comunicações emergenciais:

  • simplicidade;
  • adaptabilidade;
  • montagem rápida;
  • baixo consumo energético;
  • eficiência operacional;
  • resiliência.

As antenas também desempenham papel central nesse cenário.

Muitos operadores QRP utilizam:

  • dipolos portáteis;
  • antenas end-fed;
  • verticais leves;
  • long wire;
  • Delta Loop;
  • antenas improvisadas de campo.

Soluções simples, eficientes e de rápida instalação.

Mais do que uma modalidade técnica, o QRP representa uma mentalidade operacional baseada em preparação, autonomia e capacidade de adaptação.

E talvez exatamente por isso continue sendo tão valorizado dentro do radioamadorismo moderno.

Porque no fim das contas, em momentos críticos, comunicação eficiente pode significar muito mais do que potência:
pode significar presença, apoio e continuidade.


Matéria criada por Orion para o Projeto  Cavalo Marinho  — tecnologia, conhecimento e amizade nas ondas do rádio. 👍

segunda-feira, 11 de maio de 2026

QRP: a paixão dos poucos watts no radioamadorismo e no PX

 


QRP: a paixão dos poucos watts no radioamadorismo e no PX

Em um mundo onde muitos acreditam que potência é sinônimo de desempenho, o QRP continua provando exatamente o contrário.

A modalidade, baseada em operações de baixa potência, conquistou espaço entre radioamadores e operadores PX justamente por valorizar técnica, propagação, eficiência e habilidade operacional acima da força bruta de transmissão.

O termo QRP vem do tradicional código “Q”, utilizado historicamente nas comunicações de rádio, significando “reduzir potência”. Hoje, o conceito representa uma verdadeira filosofia dentro do rádio.

Mais do que poucos watts, o QRP representa:

  • paciência;
  • escuta atenta;
  • antenas eficientes;
  • conhecimento de propagação;
  • paixão pela comunicação.

Equipamentos QRP até 8 watts

Entre os rádios mais conhecidos e utilizados na filosofia QRP, operando com potência de até aproximadamente 8 watts, destacam-se:

  • Yaesu FT-817 — até 5 W
  • Yaesu FT-818ND — até 6 W
  • Icom IC-705 — até 5 W
  • Elecraft KX2 — muito utilizado entre 5 e 8 W
  • Elecraft KX3 — amplamente utilizado em baixa potência
  • QCX Mini — cerca de 5 W
  • uSDX — entre 3 e 5 W
  • tr(u)SDX — cerca de 5 W
  • Mountain Topper MTR — entre 3 e 5 W
  • PX Voyager Air-100 — aproximadamente 8 W AM
  • Cobra 19 DX — cerca de 4 W AM
  • Midland 1001Z — cerca de 4 W AM
  • President Teddy — cerca de 4 W AM/FM
  • AnyTone Smart CB — cerca de 4 W AM/FM

Antenas: o verdadeiro segredo do QRP

Os praticantes da modalidade costumam repetir uma frase clássica:

“a antena vale mais do que aumentar potência.”

Entre as antenas mais utilizadas estão:

  • dipolo meia onda;
  • plano terra;
  • vertical 1/4 de onda;
  • Delta Loop;
  • Yagi de 2 ou 3 elementos;
  • long wire;
  • antenas móveis bem ajustadas.

Quando a propagação abre, poucos watts podem percorrer centenas ou até milhares de quilômetros.

E talvez seja justamente isso que torna o QRP tão especial.

Porque no fim das contas, o rádio continua ensinando uma verdade antiga:

não são os watts que tornam uma estação grande…
mas a paixão de quem está atrás do microfone.

Fontes consultadas


Matéria criada por Orion para o Projeto  Cavalo Marinho  — tecnologia, conhecimento e amizade nas ondas do rádio. 👍

ANATEL disponibiliza painel para consulta de indicativos e estações de radioamador

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